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sábado, 12 de abril de 2008

Piaf não está lá



No meio de dezenas de filmes minimamente bons lançados nos cinemas, dois se aproximam bastante em relação ao tema: Piaf – Um hino ao amor e I’m Not There (não gosto do título em português, sei lá, meio perde a força – me chamem de americanizada mas “Eu não estou lá” não tem a MÍNIMA graça), sobre a cantora francesa Edith Piaf e o americano Bob Dylan, respectivamente. Apesar de os dois serem biografias de músicos, muita coisa muda entre os dois: estilos, épocas, públicos e em relação aos filmes, a forma de contar as histórias da vida deles.

Nos dois filmes a história é contada de forma fragmentada. No caso de Piaf, o filme vai e volta em diferentes momentos da vida da cantora. Vemos um pouco da infância, e em seguida algo do fim da sua vida, e o filme segue assim, intercalando diferentes momentos. No caso de I’m not there, a fragmentação é feita de uma forma que o longa parece na verdade uma série de curtas intercalados, pois cada parte conta uma fase da vida de Dylan, e cada um desses momentos é interpretado por um ator diferente.

TEC: ENTRA EFEITO FREADA DE CARRO *

Vamos com calma agora. Dois filmes acabaram de se multiplicar e se transformar em 7 histórias diferentes.

TEC: ENTRA EFEITO FITA REBOBINANDO

Ok, até a parte do Piaf vocês pegaram, certo? Agora vamos ao mais difícil: I’m not there. Bob Dylan. Cate Blanchet, Christian Bale, Ben Wishaw, Richard Gere, Marcus Carl Franklin e Heath Ledger. Cada um desses atores interpreta um personagem diferente, mas ao mesmo tempo, todos eles são Bob Dylan, ou o representam de alguma forma.

Essa complexidade é a grande graça do filme dirigido por Todd Haynes, e outra grande graça é que ao mesmo tempo que o filme foi feito especialmente para os fãs de Dylan – só grandes fãs vão entender todas as histórias e enxergar nelas o cantor – o público leigo (a.k.a. Eu) entende as histórias em si. Todas tem um começo, meio e fim, conflito, você se apega aos personagens e seus pequenos ou grande dramas. Por conta desses dois públicos diferentes, o filme pode ter interpretações diferentes, mas no fim das contas tanto fãs quanto leigos vão gostar do filme.

TEC: ENTRA EFEITO FITA REBOBINANDO

Voltemos à Edith Piaf, que coitada, foi deixada pra trás. Outro ponto em comum entre os dois filmes, são as atrizes: Mrion Cotillard e Cate Blanchett foram indicadas ao Oscar, a primeira a melhor atriz, prêmio que levou pra casa, e a segunda foi indicada a melhor atriz coadjuvante, e infelizmente, não venceu. Ambas trabalham lindamente seus personagens, e surpreendem. Marion interpreta Piaf dos 18 até seus últimos anos de vida – aí entra a equipe de maquiagem que também levou seu Oscar pra casa – mudando a postura, a voz, a expressão facial. Cate surpreende por interpretar um homem.

TEC: ENTRA EFEITO FREADA DE CARRO

É, ela faz um homem. E seu personagem, Jude Quinn, é o que, fisicamente, mais se parece com Bob Dylan. Depois de ver o filme eu falei que ela só não parecia mais o cantor americano por que era uma mulher, e todos que assistiram, concordaram comigo. Falando com uma voz rouca, irônica, com os trejeitos parecidos com os de Dylan, Blanchett me deixou arrepiada.

Aliás, o trabalho das duas atrizes me deixa arrepiada: é surpreendente como existem boas, ótimas atrizes por aí, o que nos garante, senão um filme inteiro bom, pelo menos uma atuação de deixar os cabelos em pé.

Quase me esqueço de falar sobre as trilhas sonoras, o que seria um pecado mortal. Não consegui baixar nenhum dos álbuns ainda, mas não preciso nem dizer que vale muito a pena. Nos dois filmes, se não me engano a trilha não é exclusiva de Dylan e Piaf, em sua maioria é, claro, mas o que não é dos homenageados, cabe perfeitamente nas cenas, sem tirar nem pôr.

Piaf é um pouco mais fraco que I’m not there, talvez por que a história da francesa não foi trabalhada de uma forma tão envolvente quanto no caso do filme seobre Dylan, ou talvez sua vida não tenha sido assim tão empolgante. Fato é que os dois filmes são pelo menos bons e merecem ser vistos, são ótimos para conhecer as obras, passar a gostar mais, ou se apaixonar de vez. Acho que mesmo se não gostar das histórias de algum dos dois, vale pelas atuações e pela trilha sonora.


*Para os que não entenderam isso aí, o que acho que foi a maioria das pessoas, isso são indicações de roteiro de rádio.

domingo, 6 de abril de 2008

No escuro


Como esse é um blog democrático - ou eu simplesmente sou muita facinha - aceitei as exigências sugestões dos meus amigos de postar aqui sobre o trailer do Blindness, o novo filme do Fernando Meirelles.
Pra quem ainda não viu, põe aí pra carregar:



Viu? Então vamos ao que interessa!
Esse é só o primeiro trailer. Acho que se fosse só por ele não me empolgaria muuito pra ver esse filme. Não mostra nada - o que acho bom - mas também não provoca muito o espectador.
É legal pra ter uma idéia da estética do filme: muito branco, cores dessaturadas, tudo muito claro e estourado.
Mas como disse meu amigo, acho que não tem muito dedo do Meirelles nesse trailer. Fato. E faltam muitas partes da história, então, nada de pânico, crianças!
O site ainda não tem nada, mas também dá uma idéia da estética.
O negócio é agüardar as próximas notícias, posts no blog, e a estréia do filme em maio nos festivais pelo mundo.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A vida em preto e branco


Persépolis é um ótimo filme, por alguma razão falar sobre ele se tornou um desafio descomunal pra mim. Escrevi e reescrevi umas 5 vezes. Nessa que espero ser a versão final, vou tentar ser o mais fiel o possível aos meus primeiros depois de ver o filme.

O filme narra a história de Marjane Satrapi, não por coincidência, a roteirista e desenhista do filme e da grafic novel na qual ele se baseia. Com a simplicidade do 2D e usando a maior parte do tempo preto e branco, o filme encanta pela forma e pelo conteúdo.

Marji, como é chamada pela mãe, cresceu em uma família de esquerda em plena Revolução Islâmica no Irã. Rodeada pelo clima revolucionário a garota aos 10 anos anda pela casa bradando "Morte ao Xá, morte ao Xá", ironizando e questionando as ordens dadas pelas professoras. Um dia durante um anúncio do governo no colégio, Marji levanta a mão e pergunta por que deveriam seguir aquela ordem que parece tão sem propósito. De volta em casa, os pais ficam preocupados com as conseqüencias que aquela pergunta pode trazer para ela. Por isso, mandam-na para viver em Viena, onde fica até os 20 anos.

E os spoilers acabam aqui.

A forma como tudo isso é contado que me pareceu genial, como por exemplo o crescimento físico de Marji, em que ela perde seu centro de gravidade. Acho que essa história não poderia ser contada de qualquer outra maneira. Live action, 3D, nada daria a mesma graça e sensibilidade à historia.

Marji é encantadora, principalmente quando pequena, no auge de seu calor revolucionário, ao conhecer seu tio ex-prisioneiro político, ou quando manda Deus calar a boca. Outro momento muito bom do filme é quando, na adolescência, Marjane começa a ouvir música americana e é repreendida por isso. Outro ótimo personagem é a avó, ela tem tiradas geniais, diz coisas que você jamais pensou ouvir da boca de sua vó.

Persépolis concorre neste domingo a melhor animação no Oscar 2008, como já disse no post anterior, torço pra que ganhe, por que ele inova ao ser tradicional. Nos últimos, não sei... 8 anos, a maioria (senão todos) dos concorrentes nessa categoria têm sido filmes em 3D, mega coloridos, familiares, musicais e fofos. Persépolis vai por um lado diferente, e consegue ser tão agradável quanto as demais animações.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Que rufem os tambores

O oscar acontece nesse domingo, e eu, como metida a pseudo-cineasta e pseudo-crítica de cinema, resolvi falar o que eu acho sobre os indicados nas principais categorias. Não conseguirei fazer uma análise muito profunda por que não vi todos os filmes, então farei uma análise parcial... uma coisa tipo entre amigos mesmo...
Os nomes em vermelhos são os que eu já vi.

Melhor ator

George Clooney ("Conduta de Risco")
Daniel Day Lewis ("Sangue Negro")
Tommy Lee Jones ("No Vale das Sombras")
Viggo Mortensen ("Senhores do Crime")
Johnny Depp ("Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet")

- Como só vi um dos indicados, fica meio difícil fazer uma análise boa, mas como eu disse na crítica sobre o Sweeney, apesar de achar que Johnny Depp está bem no papel, ele já fez coisas melhores antes e os concorrentes são bem fortes. Daniel Day Lewis e Tommy Lee Jones são os favoritos pelo que ouvi por aí, e pelo currículo dos dois.


Melhor ator coadjuvante

Casey Affleck ("O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford")
Javier Bardem ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Philip Seymour Hoffman ("Jogos do Poder")
Hal Holbrook ("Na Natureza Selvagem")
Tom Wilkinson ("Conduta de Risco")

-De novo só vi um dos indicados, e aparentemente é um dos favoritos. Javier Bardem está mesmo muito bem como o assassino frio de Onde Os Fracos Não Tem Vez. Fora o penteado EMO, mas isso não é culpa dele, coitado.

Melhor atriz

Cate Blanchet ( "Elizabeth: A Era de Ouro")
Julie Christie ("Longe Dela")
Marion Cotillard ("Piaf - Um Hino ao Amor")
Laura Linney ("The Savages")
Ellen Page ("Juno")

-(Ok, nem comento mais sobre só ter visto um por que já ficou óbvio e monótono) Ellen Page está ótima como a grávida Juno, mas acho que o crédito está mais para o roteiro que pra ela. Seria ótimo ela ganhar, gosto quando gente nova ganha, mas as concorrentes são fodonas, então apostar na guria é arriscado. Apostaria minhas fichas (às cegas) na Cate Blanchet ou na Marion Cotillard.

Melhor atriz coadjuvante


Cate Blanchett ("Não Estou Lá") Ruby Dee ("O Gângster")
Saoirse Ronan ("Desejo e Reparação")
Amy Ryan ("Gone Baby Gone")
Tilda Swinton ("Conduta de Risco")

-Estou torcendo loucamente pra Cate Blanchet, ela está fantástica como Jude Quinn. Pra quem não viu o filme, recomendo, mesmo não conhecendo a vida de Bob Dylan é um ótimo filme, e acho que vale pra ver a Cate Blanchet interpretando uma das personas do Dylan, como disse prum amigo: ela só não está mais igual à ele por que é uma mulher! (alias, estou devendo falar sobre esse filme pra vocês)

Melhor filme


"Conduta de Risco" "Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"
"Desejo e Reparação"
"Juno"

-Sofrendo uma crise de dupla personalidade vou comentar essa categoria. Como no ano passado, o filme que eu mais gostei é o independente, engraçado, com diálogos inteligentes, indie e fofo, mas racionalmente sei que é bem difícil Juno ganhar como melhor filme. Onde os fracos não tem vez é um filme mais pesado, sério, digno de Oscar, mesmo. Não vi, mas parece que Sangue negro tem esse padrão Oscar de qualidade.

Melhor filme de animação


"Ratatouille" (Brad Bird)" "Tá Dando Onda" (Ash Brannon and Chris Buck)
"Persépolis" (Marjane Satrapi and Vincent Paronnaud)

-Acho que essa é a que tenho mais autoridade pra comentar. Vi 2 dos 3 concorrentes, e pelo que eu vi do trailer de Tá dando onda, acho que não consegue vencer seus concorrentes. E essa é uma briga dura. Ratatouille é mais uma produção Pixar: 3D, impecável, rico em detalhes, personagens carismáticos, história fofa que agrada toda a família. Já Persépolis vem com uma proposta quase antagônica: 2D, preto e branco, também muito bem desenhado e roteirizado, personagens baseados em pessoas de verdade, também carismáticos, uma história não muito fofa e que não agrada toda a família. Eu particularmente estou torcendo por Persépolis que me encantou (e eu também estou devendo uma crítica) adorei a personagem central, os desenhos, a história, enfim! Mas ao mesmo tempo sei que Ratatouille tem toda uma força inegável. Como Juno X Onde os fracos não tem vez.

Melhor diretor


Tony Gilroy ("Conduta de Risco") Jason Reitman ("Juno")
Julian Schnabel ("O Escafandro e a Borboleta")
Paul Thomas Anderson ("Sangue Negro")
Ethan e Joel Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez)

-O único dessa categoria que não está concorrendo em melhor filme é Julian Schnabel, e não ouvi nada sobre esse filme até o fechamento dessa edição. Parece que a batalha será travada novamente entre os irmãos Coen e PTA. Os dois (os irmãos valem como um só, ok) têm peso nos nomes e os filmes estão sendo muito bem cotados. Vou ser sincera com vocês: creio que nunca vi um filme de nenhum dos dois! Só mesmo o mais recente dos Coen

Bom, falei que só comentaria as principais categorias, e foi o que eu fiz. Acho que as demais não interessam muito a vocês leitores e eu também não tenho muito embasamento teórico pra falar do resto. Eu tive embasamento teórico nas outras categorias??? Não sei... Mas acho legal dar pitaco, então o meu ficou registrado.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Uma Câmera na Mão e Nenhuma Idéia na Cabeça


Ao contrário do que o título sugere, Cloverfield - o Monstro é muito bom. Quem não tem idéias na cabeça são os personagens, não os idealizadores do projeto, ok. Aí você me pergunta por que eles não têm idéias na cabeça, e para responder, eu conto a história do filme. Na festa de despedida de Rob Hawkins seu amigo Hud está filmando depoimentos e tudo mais quando de repente tudo treme, as luzes se apagam e ouve-se um som bizarro. Blá blá blá todos saem correndo do prédio e continuam juntos Hud, Rob, seu irmão Jason e a namorada Lily e Marlena, Rob ouve uma mensagem de sua melhor amiga/namoradinha/amor da vida/brigou na festa e foi estúpido Beth em que ela diz estar presa. Aí entra a falta de idéia na cabeça... Sem conseguir falar de novo com a garota, Rob lidera os amigos para tentar resgatá-la. Claro, super fofo, mas... meio perigoso não? O filme mostra todo esse povo voltando pro meio da confusão causada pelo monstro pra salvar a mocinha.

As comparações com Bruxa de Blair são inevitáveis, afinal ambos mostram adolescentes que por um acaso estavam com uma câmera e resolveram registrar acontecimentos bizarros. Incrível como essa estética funciona muito bem para filmes de monstros, espíritos e afins. A tensão criada é muito maior do que num filme rodado por "profissionais" (pelamordedeus, eu sei que quem operou a câmera na verdade foi um profissional!). No caso de Cloverfield, o espectador chega a ficar ofegante depois de ver os protagonistas correrem por túneis escuros. A tensão paira no ar, em alguns momentos, eu pelo menos não conseguia respirar tranqüilamente, meus músculos estavam todos travados esperando por um monstro na próxima esquina. A câmera na mão ainda tem outros efeitos sobre o espectador.

Nem sempre Hud, o personagem com a câmera, faz bons enquadramentos, claro, eles estão correndo risco de vida! E isso aumenta o nervosismo pois algumas vezes não vemos o que está acontecendo, mas sim o chão, pés, pessoas correndo. O plano muitas vezes fica mais fechado num momento em que queríamos uma grande angular para poder ver toda Mannhatan e o monstrengo. Além disso, como ele está correndo para salvar a própria pele e de seus amigos, a câmera fica chacoalhando balançando, o que gera em nós uma outra agonia, boatos que pessoas vomitaram por causa disso, na minha sessão isso não aconteceu (ainda bem).

Depois do filme conversei com um amigo que disse que esse filme gera milhares de continuações, mostrando diferentes filmagens do mesmo ataque, mas agora pensando, isso não daria certo. Seria básicamente a mesma história, com a mesma câmera chacoalhando, ou seja seria o mesmo filme. Um filme que veio mudar a forma de fazer filme de terror (ou qualquer outro sótulo que valha para um ataque de um monstro) não deveria se repetir tantas vezes. Aliás, esse filme me faz ficar temerosa quanto ao novo filme de George A. Romero, Diário dos Mortos (tralier), que tem o mesmo esquema de câmera na mão, mas dessa vez, fugindo de zumbis, claro. Tenho medo de ir ao cinema e ver exatamente a mesma coisa, mas com zumbis, e só, sem mais nenhuma inovação.

Outro boato que ouvi é que existem alguns eastereggs durante o filme, como na roda gigante em Coney Island em que pode se ver algo caindo no mar, (talvez trazendo o monstro do espaço?) e outras coisas em segundo plano que poderiam enriquecer a história. Mas não se sinta mal se não viu! É legal mesmo assim. Vale dar uma olhada na comunidade do filme se você gosta desses pequenos mistérios à la LOST.


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Avaliação final: Ótemo! *****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Mahomenos -----***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****


domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sweet & Sour


Juno é o filme hype da vez. E assim como o hype do ano passado, Pequena Miss Sunshine, está concorrendo ao Oscar, em 4 categorias diferentes. Mas falemos do Oscar mais pra frente. Vamos à Juno.

O filme leva o nome da personagem central da trama, interpretada por Ellen Page. Juno engravida de seu melhor amigo, Bleeker (Michael Cera) e resolve dar a criança para adoção. Os pais escolhidos são Vanessa e Mark, interpretados por Jennifer Garner e Jason Bateman. E por aí corre a história.

Olhando assim parece extremamente simples... e é! A grande graça do filme está nos diálogos, eles são rápidos - não ao nível Gilmore Girls que quase causam convulsões no público - e sagazes. Nada fica sem resposta, o sarcásmo nunca é deixado de lado, até a técnica do ultra-som tem que engolir suas palavras. Juno é a campeã das ironias, mas o atendente da farmácia, logo no início do filme, também tem ótimas tiradas com a garota e seu terceiro teste de gravidez. Além dessa sagacidade dos diálogos, há uma fofura no ar, que nos encanta mais ainda durante o filme e faz com que nos envolvamos cada vez mais com a história de Juno.


Juno foi escrito por Diablo Cody, que já foi stripper e escreveu um livro sobre sua vida noturna, um sucesso de vendas. Aí você pára e lembra de um caso parecido aqui dos trópicos... Diferente da Bruna Surfistinha, Diablo tem mais 3 roteiros a serem filmados no ano que vem, e também trabalha junto com Steven Spielberg na série The United States of Tara.

Juno foi o primeiro roteiro escrito por ela e foi indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar. Difícil julgar racionalmente se ganhará ou não o prêmio da acadêmia, pois dos outros indicados só vi Ratatouille. Assim, às cegas, digo que tem chance, pois a história é bem interessante e o personagem central é muito bem trabalhado. Juno parece ser muito segura e ter tudo sob controle, mas numa conversa com seu pai percebemos que assim como qualquer adolescente, ela é frágil e tem seus questionamentos.

O diretor Jason Reitman ficou conhecido pelo seu filme anterior, Obrigado Por Fumar, e assim como a dois anos atrás, realizou um bom trabalho. Nada incrível ou surpreendente, bom. Concorrendo com os irmãos Coen e Paul Thomas Anderson, diretores já consagrados, fica bem difícil de vencer a disputa. Os outros concorrentes são fortes e já têm nome, então, assim como Pequena Miss Sunshine ano passado, acho que apesar do filme ser ótimo e diferente do que temos por aí, não deve levar o homenzinho dourado.

A outra categoria a que o filme concorre é de melhor atriz. Ellen Page faz um ótimo trabalho como Juno, mas concorrendo com outras grandes atrizes, como Cate Blanchet a disputa é quase injusta. Ela é a grande graça do filme, é encantadora a forma como a personagem se desenvolve com o passar do tempo e dos pequenos desafios que a gravidez representa.

Todas as indicações de Juno aliás são de certa forma injusta, pois apesar de ser um ótimo filme, que venceu diversos festivais pelo mundo, não tem força pra concorrer com os gigantes do Oscar. Mas acho que só a indicação já é válida, afinal das centenas de filmes lançados pela indústria americana no último ano, são poucos os que chegam a uma indicação.

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Avaliação final: Ótemo! *****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Mahomenos -----***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****

(mudei um pouco o critério da nota por que tava meio dúbio)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Up for a shave?




Graças à uma promoção do Omelete eu consegui um par de ingressos para assistir a uma Pré-Estréia de Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da Rua Fleet.
Estava muito animada pra ver esse filme, é uma mistura de tudo que eu mais gosto no cinema: Johnny Depp, Tim Burton e musicais. Tinha medo de minhas expectativas estarem tão altas que me frustraria em dois minutos de filme. Por sorte isso não aconteceu. Não era tão perfeito quanto eu imaginava, mas não fiquei totalmente desapontada. Não é o melhor filme do diretor, mas também não é o pior.

O primeiro musical da carreira do elenco principal e do diretor Tim Burton, e ele não faz sua parceria costumeira na trilha sonora com Danny Elfman. Talvez por isso as músicas tenham deixado um pouco a desejar. São 20 músicas em cerca de 2 horas de filme, e muitas delas se repetem, ou seja, mesmo para um musical, haviam muitas músicas (música, música, música).
Vamos aos meus destaques: A primeira cantada por Depp e o jovem Jamie Campbell Bower "No Place Like London" e o dueto de Depp e Alan Rickman "Pretty Women" essas são as melhores do filme. Outras músicas muito boas são as cantadas por Helena Bonham Carter, as duas mais divertidas do filme: "The Worst Pies In London" e "By the Sea". Aliás, a cena da segunda é muito engraçada, destoa do resto do filme em cores, expressões e felicidade.
As outras músicas são boas, mas uma delas, "Johanna", se repete tantas vezes, que você tem vontade de bater no garoto, o mesmo Jamie Campbell Bower da primeira música.


Sacha Baron Cohen, a.k.a. Borat, faz uma participação especial, e claro, muito engraçada. Foi só ele aparecer na tela que risadas foram ouvidas na platéia. Ele interpreta Pirelli um barbeiro italiano muito figura.


Johnny Depp interpreta Sweeney Todd, e o faz muito bem, mas esse não foi o papel que mais exigiu do ator nos últimos tempos. Talvez por estar sempre com a testa franzida e louco por vingança. Assim como o pirata Jack Sparrow, o barbeiro é carismático, você simpatiza com ele e sua vingança sangrenta e torce para que dê tudo certo.
O final (sem spoilers!) é um pouco previsível, só não vou dizer se é feliz ou não, por que daí já é demais!



Agora avaliemos o Oscar, afinal ele concorre em 3 categorias.

Melhor Ator - Johnny Depp: Ele, como já disse está bem, mas nada muito exorbitante. Acho que se não ganhou por Jack Sparrow, nao será pelo barbeiro demoníaco.

Melhor Direção de Arte: É muito boa, mas já vi melhores. As navalhas são muito bonitas, mas um objeto não faz Oscar.

Melhor Figurino: O figurino é muito bonito, todo escuro, assim como todo o filme, mas é possível identificar detalhes, texturas e etc.. Como os outros concorrentes parecem fortes (embora não tenha visto nenhum) não sei se leva.

Injustiça: Acho que a maquiagem foi o melhor, porém, não foi indicado nessa categoria. Todo mundo é branco feito cadáver, com olheiras enormes, mas por exemplo Sewnney Todd tem um leve vermelho embaixo dos olhos, vemos a mudança de um dos personagens, já mais para o fim do filme, através da maquiagem também. Fora a mechinha branca do Sweeney Todd que é uma graça. =P

A lista completa dos indicados ao Oscar está aqui.

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Avaliação final: Bão! ****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Dá pro gasto... ---***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

No bonde do Coringa

Não, isso não é um blog de fofoca, mas não posso deixar passar a morte do Heath Ledger. Não por que ele é lindo (o que é um fato), não por que tô louca pra ver ele de Coringa (o que também é um fato) mas por que como disse meu irmão "a morte dele virou um fenomeno digital".
Incrível.


Em menos de, sei lá, 3 horas o cara foi encontrado pela empregada, (massagista, Mary Kate... Whatever), médicos foram lá, avisaram a família, a morte foi divulgada na internet, e de repente, em TODOS os lugares só se falava disso!
Comunidades do orkut, Twitter (que foi assim que eu fiquei sabendo aliás), fotologs, blogs... TUDO. Mais tarde até no Jornal Nacional teve notícia.
Hoje aliás, teve mais notícia...
Acho que nenhuma outra morte foi tão divulgada pela internet quanto essa. Talvez fosse por causa do Coringa, já que o novo Batman está próximo de ser lançado, talvez por que ele fosse gato, ou talvez seja só por que daqui pra frente as mortes vão ser noticiadas assim... Pelo twitter, blog e afins. Como dizem por aí é temdemsia. Do futuro eu não sei, mas que a morte do Heath Ledger foi um fenômeno midiático e vai ser comentada em aulas de Teoria da Comunicação, isso vai.

Ah, além do fato de que esse já tá no TOP 5 bafões do ano.

*Update*
Só pra fazer graça, vou por o trailer do Batman - The Dark Knight aqui pra quem não viu, ou quer ver de novo.


sábado, 19 de janeiro de 2008

Vá pela sombra!

Ou não!


Em "Eu sou a lenda" o melhor é ficar o mais longe posível da escuridão.
Will Smith é Robert Neville, um militar que fica alone em Nova York depois que um vírus super mortal se espalha. Mas ele não está lá muito sozinho. O vírus gerou uma mutação nos humanos infectados, que se tornaram uma criatura híbrida: um pouco vampiro e muito zumbi. Esfomeados, afinal há pouca comida (aka seres humanos), eles muitas vezes se expõe a luz em busca de alimento - essa é a parte vampiro, que faz com que a luz faça mal a eles. Neville passa 3 anos acompanhado por sua cadela Sam, até que....
Bom, daí pra frente já vira spoiler, então, deixa pra lá!

O filme é muito bem feito e cumpre a proposta Blockbuster. Pulos na cadeira gerados pelos zumbis são garantidos. Uma parte desses sustos é garantido na montagem: sobreposição de cenas em que tudo parece calmo e tranqüilo com um som estridente! Mas aí, você vai ver, é só a janela sendo fechada...
Incrível como Will Smith conseguiu levar praticamente os 101 min da história travando diálogos com manequins e com a Sam. Ele até que é bom ator! Claro que existem outros personagens, como Anna, da brasileira Alice Braga. O personagem causa uma certa revolta em nós brasileiros, algo relacionado ao não conhecimento de Bob Marley, mas enfim... Pra variar, a gringaiada acha que a gente vive no mato e só ouve samba!
Se você for uma criatura assustada, vá numa sessão do meio da tarde e não fique sozinha no escuro até o amanhecer.

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Avaliação final: Bão! ****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Dá pro gasto... ---***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****

sábado, 29 de dezembro de 2007

J'adore les films

Os sonhadores - Bernardo Bertolucci


Assim, sem nunca ter visto nenhum dos filmes mencionados, nem qualquer outro filme do Bernardo Bertolucci, me meto a besta de falar desse filme, Os Sonhadores, que eu particularmente amo e revi hoje.

Os irmãos Theo e Isabelle - Louis Garrel e Eva Green - encontram na Cinemateca Francesa, na primavera de 1968, um americano tão apaixonado pelo cinema quanto eles: Mathew - Michael Pitt. Desenvolve-se então uma história de amor, várias histórias de amor, dentro do apartamento dos franceses.
Vou ser honesta: Sim, existem muitas cenas de sexo, e partes íntimas à mostra, e isso à primeira vista pode chocar, mas acho que o mais importante na película é o amor que há por trás dessas cenas: tanto um pelo outro quanto pelo cinema.

Bertolucci ensina cinema, dá uma aula de clássicos que todo cinéfilo, ou wannabe (como eu) deveria assistir, prestar atenção. Depois, ir atrás de todos os filmes inseridos lindamente na montagem.
Aliás, o que mais me encantou nesse filme foi a montagem: intercalando os 3 jovens com cenas de filmes clássicos. Algumas dessas cenas muito bem reproduzidas na história de Bertolucci.
Além da montagem a arte é fantástica, detalhes e mais detalhes no cenário. Tudo colorido, vemos os personagens em suas roupas e objetos. Fotografia? Honestamente não prestei muita atenção nela no decorrer do filme, mas em uma cena na cozinha ela chama atenç: a cena é toda iluminada por um castiçal sobre a mesa. Lindo.

Outra cena maravilhosa é quando os 3 estão na banheira e vemos seus rostos através de 3 espelhos na frente deles. Pra fechar o filme, uma cena em câmera lenta (RELAXA, não vou estragar nada!) e uma música per-fei-ta.

O filme não agradaria a todos, mas quem ama cinema e quer aprender um pouco mais, tem obrigação de ver esse filme e todos que existem dentro dele. Pra ajudar, aí vão alguns dos filmes mencionados.

A Vênus Loira
Bande à Part
Luzes da Ribalta
O Picolino
Scarface

sábado, 3 de novembro de 2007

ACABOU!

Acabou a mostra e os almoço(jantares)/caminhadas de meia hora!
Acabou a posterofobia e a caixofobia!
Acabou as corridas até cinemas!
Acabou.
Acabou o uso de crachá.
Acabaram as risadas e os "não faz a louca!" com o Leandro.
Acabaram as músicas com o Júlio.
Acabaram as risadas da Laura.
Acabou...



Acabou...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Ou as 2 semanas que Eliseenha se provará mais forte que Chuck Norris

Como eu não tenho vida particular, já que meus amigos tão ocupados, ou morando em outra cidade, e eu não tenho namorado, resolvi ocupar cada instante do meu dia com coisas que me destraiam do fato de meus amigos estarem ocupados ou em outra cidade, e de que eu não tenho namorado.
Por isso, começarei amanhã a trabalhar na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, fazendo mais um pouco de trabalho burocrático...

Daqui a duas semanas (dia 1o) eu volto do mundo dos mortos como uma zumbi, direto pra Zombie Walk! Não vou nem precisar de maquilagem!

Vejo vocês do outro lado

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Nhá, ou a falta de um título melhor

PAsseando pelo JN encontrei um link pro site do Wallace e Gromit!!!


Ainda não fucei direito, mas parece muuuito legal!
Tem até uma loja com bonecos e afins dos dois!!!!

Pra uma tarada por stopmotion como yo, é um prato cheio!

Bjus

domingo, 30 de setembro de 2007

I'm Bliiind! ou Diário de Blindness

Sim, eu sou tiete... mas sei não incomodar, ser inconveniente e chata.
Esse fim de semana foi dedicado ao cinema... ao fazer cinema... às filmagens do novo longa do Fernando Meirelles, o Blindness, baseado no Ensaio sobre a Cegueira do Saramago.

MEU DEUS!!! É tão bom estar naquele lugar, no set, perto do Meirelles... Quem se importa com a Julianne Moore! Com o Danny Glover ou o Mark Ruffalo quando se tem o Meirelles do lado???
Claro! Não estou menosprezando nenhum dos atores, eles são importantissimos pra história, eu tieto também, e MUITO, mas meu foco principal é o diretor, o diretor de arte, de foto, de whatever!!

Sábado o dia foi dedicado a tietar mesmo o Meirelles: nenhum dos atores principais estava na filmagem, só os japoneses cujos nomes ainda não aprendi direito, e o Set era menor, a gente ficou perto, tirou foto e tudo mais.

Já no domingo os principais estavam lá, e claro, tiramos fotos com TODOS, em breve todas estarão no meu flickr, por enquanto só tem algumas...
O Mark Rufallo é muito paciente e atencioso, o Danny Glover é sérião, a Alice Braga (foto temporariamente indisponível) é uma FOFA, o Yusuke Iseya é figura total, o Mitchell Nye é muito fofo também! A mais estrelinha, claro é a Julianne Moore que negou uma foto antes do vuco vuco todo...

Mais alguns dias acho que o Meirelles vai olhar pra mim e pro Fabio como "os doidos que passam o dia nas filmagens e não tem mais o que fazer"... Espero! hahaha

Bom, as fotos legais que eu tenho já tão aí, em breve faço um update desse post mostrando as demais fotos, e hopefully, dos próximos dias de filmagem :)
Ultimo comentário antes de ir embora:
EU AMO CINEMA!!!!

Bjus apaixonados pela 7a arte e tudo que a envolve!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O Ano Em Que Meus Pais Me Deram Um Oscar

Será?
Espero que sim, não vi os outros concorrentes a concorrentes, nem sei quem são actually, também não vi o Tropa de Elite, só no cinema...afinal, já que sou uma futura produtora de filmes é bom alavancar as bilheterias, né?
Mas enfim, voltando ao "Ano Em Que Meus Pais Sairam De Férias":
Filme brasileiro de sucesso sempre fala de ditadura ou favela...é uma merda, mas no caso desse é diferente... não tem nenhum personagem central fugindo da polícia, saindo em passeata...faz tempo que vi o filme, mas pelo que me lembre, essas coisas básicas da ditadura são só sugeridas here and there. É muito legal o olhar do menino sobre tudo isso... "OK, meus pais saíram de férias e eu tenho que ficar com meu avô... ah, mas... ele morreu... ah, então vou ficar com esse outro cara aqui e fazer uns amigos!" É um olhar totalmente infantil sobre um ano marcante pro Brasil... Tricampeonato mundial, sácumé...
O filme vale muito a pena pela forma que ele conta a história desse garoto... É engraçado, principalmente quando mostra como ele lida com os elementos judáicos que aparecem pelo filme... Fora uma partida de futebol que tem lá pelo fim, genial! A e tem também a Hanna, a garota que Mauro conhece, ela é demais!!
Enfim... falei tudo isso por que fazia uns dias que não tinha nem idéia do que escrever!
Quem sabe um dia desses não vou no cinema e escrevo uma resenha fresca :)
Bjus