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sábado, 12 de abril de 2008

Piaf não está lá



No meio de dezenas de filmes minimamente bons lançados nos cinemas, dois se aproximam bastante em relação ao tema: Piaf – Um hino ao amor e I’m Not There (não gosto do título em português, sei lá, meio perde a força – me chamem de americanizada mas “Eu não estou lá” não tem a MÍNIMA graça), sobre a cantora francesa Edith Piaf e o americano Bob Dylan, respectivamente. Apesar de os dois serem biografias de músicos, muita coisa muda entre os dois: estilos, épocas, públicos e em relação aos filmes, a forma de contar as histórias da vida deles.

Nos dois filmes a história é contada de forma fragmentada. No caso de Piaf, o filme vai e volta em diferentes momentos da vida da cantora. Vemos um pouco da infância, e em seguida algo do fim da sua vida, e o filme segue assim, intercalando diferentes momentos. No caso de I’m not there, a fragmentação é feita de uma forma que o longa parece na verdade uma série de curtas intercalados, pois cada parte conta uma fase da vida de Dylan, e cada um desses momentos é interpretado por um ator diferente.

TEC: ENTRA EFEITO FREADA DE CARRO *

Vamos com calma agora. Dois filmes acabaram de se multiplicar e se transformar em 7 histórias diferentes.

TEC: ENTRA EFEITO FITA REBOBINANDO

Ok, até a parte do Piaf vocês pegaram, certo? Agora vamos ao mais difícil: I’m not there. Bob Dylan. Cate Blanchet, Christian Bale, Ben Wishaw, Richard Gere, Marcus Carl Franklin e Heath Ledger. Cada um desses atores interpreta um personagem diferente, mas ao mesmo tempo, todos eles são Bob Dylan, ou o representam de alguma forma.

Essa complexidade é a grande graça do filme dirigido por Todd Haynes, e outra grande graça é que ao mesmo tempo que o filme foi feito especialmente para os fãs de Dylan – só grandes fãs vão entender todas as histórias e enxergar nelas o cantor – o público leigo (a.k.a. Eu) entende as histórias em si. Todas tem um começo, meio e fim, conflito, você se apega aos personagens e seus pequenos ou grande dramas. Por conta desses dois públicos diferentes, o filme pode ter interpretações diferentes, mas no fim das contas tanto fãs quanto leigos vão gostar do filme.

TEC: ENTRA EFEITO FITA REBOBINANDO

Voltemos à Edith Piaf, que coitada, foi deixada pra trás. Outro ponto em comum entre os dois filmes, são as atrizes: Mrion Cotillard e Cate Blanchett foram indicadas ao Oscar, a primeira a melhor atriz, prêmio que levou pra casa, e a segunda foi indicada a melhor atriz coadjuvante, e infelizmente, não venceu. Ambas trabalham lindamente seus personagens, e surpreendem. Marion interpreta Piaf dos 18 até seus últimos anos de vida – aí entra a equipe de maquiagem que também levou seu Oscar pra casa – mudando a postura, a voz, a expressão facial. Cate surpreende por interpretar um homem.

TEC: ENTRA EFEITO FREADA DE CARRO

É, ela faz um homem. E seu personagem, Jude Quinn, é o que, fisicamente, mais se parece com Bob Dylan. Depois de ver o filme eu falei que ela só não parecia mais o cantor americano por que era uma mulher, e todos que assistiram, concordaram comigo. Falando com uma voz rouca, irônica, com os trejeitos parecidos com os de Dylan, Blanchett me deixou arrepiada.

Aliás, o trabalho das duas atrizes me deixa arrepiada: é surpreendente como existem boas, ótimas atrizes por aí, o que nos garante, senão um filme inteiro bom, pelo menos uma atuação de deixar os cabelos em pé.

Quase me esqueço de falar sobre as trilhas sonoras, o que seria um pecado mortal. Não consegui baixar nenhum dos álbuns ainda, mas não preciso nem dizer que vale muito a pena. Nos dois filmes, se não me engano a trilha não é exclusiva de Dylan e Piaf, em sua maioria é, claro, mas o que não é dos homenageados, cabe perfeitamente nas cenas, sem tirar nem pôr.

Piaf é um pouco mais fraco que I’m not there, talvez por que a história da francesa não foi trabalhada de uma forma tão envolvente quanto no caso do filme seobre Dylan, ou talvez sua vida não tenha sido assim tão empolgante. Fato é que os dois filmes são pelo menos bons e merecem ser vistos, são ótimos para conhecer as obras, passar a gostar mais, ou se apaixonar de vez. Acho que mesmo se não gostar das histórias de algum dos dois, vale pelas atuações e pela trilha sonora.


*Para os que não entenderam isso aí, o que acho que foi a maioria das pessoas, isso são indicações de roteiro de rádio.

domingo, 6 de abril de 2008

No escuro


Como esse é um blog democrático - ou eu simplesmente sou muita facinha - aceitei as exigências sugestões dos meus amigos de postar aqui sobre o trailer do Blindness, o novo filme do Fernando Meirelles.
Pra quem ainda não viu, põe aí pra carregar:



Viu? Então vamos ao que interessa!
Esse é só o primeiro trailer. Acho que se fosse só por ele não me empolgaria muuito pra ver esse filme. Não mostra nada - o que acho bom - mas também não provoca muito o espectador.
É legal pra ter uma idéia da estética do filme: muito branco, cores dessaturadas, tudo muito claro e estourado.
Mas como disse meu amigo, acho que não tem muito dedo do Meirelles nesse trailer. Fato. E faltam muitas partes da história, então, nada de pânico, crianças!
O site ainda não tem nada, mas também dá uma idéia da estética.
O negócio é agüardar as próximas notícias, posts no blog, e a estréia do filme em maio nos festivais pelo mundo.

terça-feira, 18 de março de 2008

per.nós.ti.co

adj pop Petulante, pretencioso; pronóstico.

Acho que nesse caso é aquele que não tem coragem de assumir o que diz diante dos outros. Que se acha superior para julgar mas não mostra a cara.
Eu falo de filmes, livros, revistas, sem me esconder, meu nome está por todos os lados nesse blog. As pessoas sabem como e onde me achar para concordar ou não comigo.

Todos tem a chance de dizer o que pensam, mas por favor. Mostre a cara.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

PréConceito


Às vezes, sem motivo algum, sem nunca ter visto ou ouvido, eu não gosto de filmes, séries ou bandas. Sei que isso é errado, mas isso tem mudado, principalmente depois que ouvi e adorei CSS e percebi que essa implicância era simplesmente ridícula.

Outra vítima deste meu preconceito era o Seinfeld. Nunca tive paciência para ver um episódio inteiro. Até semana passada. Por causa de um trabalho sobre stand-up comedy, eu resolvi alugar o primeiro dvd da primeira temporada do seriado.
Fantástico! Deveria ter feito isso muito antes! Tenho certeza que quem está lendo isso já viu várias vezes o seriado, então tudo o que direi pode parecer redundante, mas entendam que isso é o relato de uma nova fã.
Como eles mesmos dizem, é uma comédia sobre o nada. Em um dos episódios que vi eles discutiam se o Clark Kent tinha um bom senso de humor! Essa é a grande graça, assim como no nosso dia a dia, não há um tema específico a ser discutido, um assunto puxa outro e não precisa haver sentido algum.

seinfeld

Um professor disse que as pessoas não querem ver suas próprias vidas na tv, querem algo à mais, por isso as tramas das novelas são todas mirabolantes, alguém importante sempre morre e coisas do tipo. Seinfeld mostra que isso não é totalmente verdade. Todo os personagens poderiam muito bem ser seus amigos. E não adianta dizer que o Kramer é forçado por que eu já vi vários por aí! A única diferença para a vida real é que toda a patotinha é engraçada. Particularmente acho que minha patotinha é hilária, mas isso não acontece com todos.

Eu conheço outras pessoas que sofrem desse mesmo preconceito com Seinfeld, e para elas eu digo: desencana dessa besteira, e assiste Seinfeld! É ótimo, um humor sagaz e simples (existe alguma diferenciação de humor simples ou complexo???) e diário. (mas minhas descrições da comédia tá muito estranha!) Vale a pena ver como sua vida seria se todos à sua volta fossem engraçados.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A vida em preto e branco


Persépolis é um ótimo filme, por alguma razão falar sobre ele se tornou um desafio descomunal pra mim. Escrevi e reescrevi umas 5 vezes. Nessa que espero ser a versão final, vou tentar ser o mais fiel o possível aos meus primeiros depois de ver o filme.

O filme narra a história de Marjane Satrapi, não por coincidência, a roteirista e desenhista do filme e da grafic novel na qual ele se baseia. Com a simplicidade do 2D e usando a maior parte do tempo preto e branco, o filme encanta pela forma e pelo conteúdo.

Marji, como é chamada pela mãe, cresceu em uma família de esquerda em plena Revolução Islâmica no Irã. Rodeada pelo clima revolucionário a garota aos 10 anos anda pela casa bradando "Morte ao Xá, morte ao Xá", ironizando e questionando as ordens dadas pelas professoras. Um dia durante um anúncio do governo no colégio, Marji levanta a mão e pergunta por que deveriam seguir aquela ordem que parece tão sem propósito. De volta em casa, os pais ficam preocupados com as conseqüencias que aquela pergunta pode trazer para ela. Por isso, mandam-na para viver em Viena, onde fica até os 20 anos.

E os spoilers acabam aqui.

A forma como tudo isso é contado que me pareceu genial, como por exemplo o crescimento físico de Marji, em que ela perde seu centro de gravidade. Acho que essa história não poderia ser contada de qualquer outra maneira. Live action, 3D, nada daria a mesma graça e sensibilidade à historia.

Marji é encantadora, principalmente quando pequena, no auge de seu calor revolucionário, ao conhecer seu tio ex-prisioneiro político, ou quando manda Deus calar a boca. Outro momento muito bom do filme é quando, na adolescência, Marjane começa a ouvir música americana e é repreendida por isso. Outro ótimo personagem é a avó, ela tem tiradas geniais, diz coisas que você jamais pensou ouvir da boca de sua vó.

Persépolis concorre neste domingo a melhor animação no Oscar 2008, como já disse no post anterior, torço pra que ganhe, por que ele inova ao ser tradicional. Nos últimos, não sei... 8 anos, a maioria (senão todos) dos concorrentes nessa categoria têm sido filmes em 3D, mega coloridos, familiares, musicais e fofos. Persépolis vai por um lado diferente, e consegue ser tão agradável quanto as demais animações.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Uma Câmera na Mão e Nenhuma Idéia na Cabeça


Ao contrário do que o título sugere, Cloverfield - o Monstro é muito bom. Quem não tem idéias na cabeça são os personagens, não os idealizadores do projeto, ok. Aí você me pergunta por que eles não têm idéias na cabeça, e para responder, eu conto a história do filme. Na festa de despedida de Rob Hawkins seu amigo Hud está filmando depoimentos e tudo mais quando de repente tudo treme, as luzes se apagam e ouve-se um som bizarro. Blá blá blá todos saem correndo do prédio e continuam juntos Hud, Rob, seu irmão Jason e a namorada Lily e Marlena, Rob ouve uma mensagem de sua melhor amiga/namoradinha/amor da vida/brigou na festa e foi estúpido Beth em que ela diz estar presa. Aí entra a falta de idéia na cabeça... Sem conseguir falar de novo com a garota, Rob lidera os amigos para tentar resgatá-la. Claro, super fofo, mas... meio perigoso não? O filme mostra todo esse povo voltando pro meio da confusão causada pelo monstro pra salvar a mocinha.

As comparações com Bruxa de Blair são inevitáveis, afinal ambos mostram adolescentes que por um acaso estavam com uma câmera e resolveram registrar acontecimentos bizarros. Incrível como essa estética funciona muito bem para filmes de monstros, espíritos e afins. A tensão criada é muito maior do que num filme rodado por "profissionais" (pelamordedeus, eu sei que quem operou a câmera na verdade foi um profissional!). No caso de Cloverfield, o espectador chega a ficar ofegante depois de ver os protagonistas correrem por túneis escuros. A tensão paira no ar, em alguns momentos, eu pelo menos não conseguia respirar tranqüilamente, meus músculos estavam todos travados esperando por um monstro na próxima esquina. A câmera na mão ainda tem outros efeitos sobre o espectador.

Nem sempre Hud, o personagem com a câmera, faz bons enquadramentos, claro, eles estão correndo risco de vida! E isso aumenta o nervosismo pois algumas vezes não vemos o que está acontecendo, mas sim o chão, pés, pessoas correndo. O plano muitas vezes fica mais fechado num momento em que queríamos uma grande angular para poder ver toda Mannhatan e o monstrengo. Além disso, como ele está correndo para salvar a própria pele e de seus amigos, a câmera fica chacoalhando balançando, o que gera em nós uma outra agonia, boatos que pessoas vomitaram por causa disso, na minha sessão isso não aconteceu (ainda bem).

Depois do filme conversei com um amigo que disse que esse filme gera milhares de continuações, mostrando diferentes filmagens do mesmo ataque, mas agora pensando, isso não daria certo. Seria básicamente a mesma história, com a mesma câmera chacoalhando, ou seja seria o mesmo filme. Um filme que veio mudar a forma de fazer filme de terror (ou qualquer outro sótulo que valha para um ataque de um monstro) não deveria se repetir tantas vezes. Aliás, esse filme me faz ficar temerosa quanto ao novo filme de George A. Romero, Diário dos Mortos (tralier), que tem o mesmo esquema de câmera na mão, mas dessa vez, fugindo de zumbis, claro. Tenho medo de ir ao cinema e ver exatamente a mesma coisa, mas com zumbis, e só, sem mais nenhuma inovação.

Outro boato que ouvi é que existem alguns eastereggs durante o filme, como na roda gigante em Coney Island em que pode se ver algo caindo no mar, (talvez trazendo o monstro do espaço?) e outras coisas em segundo plano que poderiam enriquecer a história. Mas não se sinta mal se não viu! É legal mesmo assim. Vale dar uma olhada na comunidade do filme se você gosta desses pequenos mistérios à la LOST.


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Avaliação final: Ótemo! *****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Mahomenos -----***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****


domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sweet & Sour


Juno é o filme hype da vez. E assim como o hype do ano passado, Pequena Miss Sunshine, está concorrendo ao Oscar, em 4 categorias diferentes. Mas falemos do Oscar mais pra frente. Vamos à Juno.

O filme leva o nome da personagem central da trama, interpretada por Ellen Page. Juno engravida de seu melhor amigo, Bleeker (Michael Cera) e resolve dar a criança para adoção. Os pais escolhidos são Vanessa e Mark, interpretados por Jennifer Garner e Jason Bateman. E por aí corre a história.

Olhando assim parece extremamente simples... e é! A grande graça do filme está nos diálogos, eles são rápidos - não ao nível Gilmore Girls que quase causam convulsões no público - e sagazes. Nada fica sem resposta, o sarcásmo nunca é deixado de lado, até a técnica do ultra-som tem que engolir suas palavras. Juno é a campeã das ironias, mas o atendente da farmácia, logo no início do filme, também tem ótimas tiradas com a garota e seu terceiro teste de gravidez. Além dessa sagacidade dos diálogos, há uma fofura no ar, que nos encanta mais ainda durante o filme e faz com que nos envolvamos cada vez mais com a história de Juno.


Juno foi escrito por Diablo Cody, que já foi stripper e escreveu um livro sobre sua vida noturna, um sucesso de vendas. Aí você pára e lembra de um caso parecido aqui dos trópicos... Diferente da Bruna Surfistinha, Diablo tem mais 3 roteiros a serem filmados no ano que vem, e também trabalha junto com Steven Spielberg na série The United States of Tara.

Juno foi o primeiro roteiro escrito por ela e foi indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar. Difícil julgar racionalmente se ganhará ou não o prêmio da acadêmia, pois dos outros indicados só vi Ratatouille. Assim, às cegas, digo que tem chance, pois a história é bem interessante e o personagem central é muito bem trabalhado. Juno parece ser muito segura e ter tudo sob controle, mas numa conversa com seu pai percebemos que assim como qualquer adolescente, ela é frágil e tem seus questionamentos.

O diretor Jason Reitman ficou conhecido pelo seu filme anterior, Obrigado Por Fumar, e assim como a dois anos atrás, realizou um bom trabalho. Nada incrível ou surpreendente, bom. Concorrendo com os irmãos Coen e Paul Thomas Anderson, diretores já consagrados, fica bem difícil de vencer a disputa. Os outros concorrentes são fortes e já têm nome, então, assim como Pequena Miss Sunshine ano passado, acho que apesar do filme ser ótimo e diferente do que temos por aí, não deve levar o homenzinho dourado.

A outra categoria a que o filme concorre é de melhor atriz. Ellen Page faz um ótimo trabalho como Juno, mas concorrendo com outras grandes atrizes, como Cate Blanchet a disputa é quase injusta. Ela é a grande graça do filme, é encantadora a forma como a personagem se desenvolve com o passar do tempo e dos pequenos desafios que a gravidez representa.

Todas as indicações de Juno aliás são de certa forma injusta, pois apesar de ser um ótimo filme, que venceu diversos festivais pelo mundo, não tem força pra concorrer com os gigantes do Oscar. Mas acho que só a indicação já é válida, afinal das centenas de filmes lançados pela indústria americana no último ano, são poucos os que chegam a uma indicação.

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Avaliação final: Ótemo! *****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Mahomenos -----***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****

(mudei um pouco o critério da nota por que tava meio dúbio)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Up for a shave?




Graças à uma promoção do Omelete eu consegui um par de ingressos para assistir a uma Pré-Estréia de Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da Rua Fleet.
Estava muito animada pra ver esse filme, é uma mistura de tudo que eu mais gosto no cinema: Johnny Depp, Tim Burton e musicais. Tinha medo de minhas expectativas estarem tão altas que me frustraria em dois minutos de filme. Por sorte isso não aconteceu. Não era tão perfeito quanto eu imaginava, mas não fiquei totalmente desapontada. Não é o melhor filme do diretor, mas também não é o pior.

O primeiro musical da carreira do elenco principal e do diretor Tim Burton, e ele não faz sua parceria costumeira na trilha sonora com Danny Elfman. Talvez por isso as músicas tenham deixado um pouco a desejar. São 20 músicas em cerca de 2 horas de filme, e muitas delas se repetem, ou seja, mesmo para um musical, haviam muitas músicas (música, música, música).
Vamos aos meus destaques: A primeira cantada por Depp e o jovem Jamie Campbell Bower "No Place Like London" e o dueto de Depp e Alan Rickman "Pretty Women" essas são as melhores do filme. Outras músicas muito boas são as cantadas por Helena Bonham Carter, as duas mais divertidas do filme: "The Worst Pies In London" e "By the Sea". Aliás, a cena da segunda é muito engraçada, destoa do resto do filme em cores, expressões e felicidade.
As outras músicas são boas, mas uma delas, "Johanna", se repete tantas vezes, que você tem vontade de bater no garoto, o mesmo Jamie Campbell Bower da primeira música.


Sacha Baron Cohen, a.k.a. Borat, faz uma participação especial, e claro, muito engraçada. Foi só ele aparecer na tela que risadas foram ouvidas na platéia. Ele interpreta Pirelli um barbeiro italiano muito figura.


Johnny Depp interpreta Sweeney Todd, e o faz muito bem, mas esse não foi o papel que mais exigiu do ator nos últimos tempos. Talvez por estar sempre com a testa franzida e louco por vingança. Assim como o pirata Jack Sparrow, o barbeiro é carismático, você simpatiza com ele e sua vingança sangrenta e torce para que dê tudo certo.
O final (sem spoilers!) é um pouco previsível, só não vou dizer se é feliz ou não, por que daí já é demais!



Agora avaliemos o Oscar, afinal ele concorre em 3 categorias.

Melhor Ator - Johnny Depp: Ele, como já disse está bem, mas nada muito exorbitante. Acho que se não ganhou por Jack Sparrow, nao será pelo barbeiro demoníaco.

Melhor Direção de Arte: É muito boa, mas já vi melhores. As navalhas são muito bonitas, mas um objeto não faz Oscar.

Melhor Figurino: O figurino é muito bonito, todo escuro, assim como todo o filme, mas é possível identificar detalhes, texturas e etc.. Como os outros concorrentes parecem fortes (embora não tenha visto nenhum) não sei se leva.

Injustiça: Acho que a maquiagem foi o melhor, porém, não foi indicado nessa categoria. Todo mundo é branco feito cadáver, com olheiras enormes, mas por exemplo Sewnney Todd tem um leve vermelho embaixo dos olhos, vemos a mudança de um dos personagens, já mais para o fim do filme, através da maquiagem também. Fora a mechinha branca do Sweeney Todd que é uma graça. =P

A lista completa dos indicados ao Oscar está aqui.

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Avaliação final: Bão! ****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Dá pro gasto... ---***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****

sábado, 19 de janeiro de 2008

Vá pela sombra!

Ou não!


Em "Eu sou a lenda" o melhor é ficar o mais longe posível da escuridão.
Will Smith é Robert Neville, um militar que fica alone em Nova York depois que um vírus super mortal se espalha. Mas ele não está lá muito sozinho. O vírus gerou uma mutação nos humanos infectados, que se tornaram uma criatura híbrida: um pouco vampiro e muito zumbi. Esfomeados, afinal há pouca comida (aka seres humanos), eles muitas vezes se expõe a luz em busca de alimento - essa é a parte vampiro, que faz com que a luz faça mal a eles. Neville passa 3 anos acompanhado por sua cadela Sam, até que....
Bom, daí pra frente já vira spoiler, então, deixa pra lá!

O filme é muito bem feito e cumpre a proposta Blockbuster. Pulos na cadeira gerados pelos zumbis são garantidos. Uma parte desses sustos é garantido na montagem: sobreposição de cenas em que tudo parece calmo e tranqüilo com um som estridente! Mas aí, você vai ver, é só a janela sendo fechada...
Incrível como Will Smith conseguiu levar praticamente os 101 min da história travando diálogos com manequins e com a Sam. Ele até que é bom ator! Claro que existem outros personagens, como Anna, da brasileira Alice Braga. O personagem causa uma certa revolta em nós brasileiros, algo relacionado ao não conhecimento de Bob Marley, mas enfim... Pra variar, a gringaiada acha que a gente vive no mato e só ouve samba!
Se você for uma criatura assustada, vá numa sessão do meio da tarde e não fique sozinha no escuro até o amanhecer.

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Avaliação final: Bão! ****

*Explicação do critério da nota:
Uma merda!-----*
Nhé...------------**
Dá pro gasto... ---***
Bão! -------------****
Ótemo! ----------*****

sábado, 29 de dezembro de 2007

J'adore les films

Os sonhadores - Bernardo Bertolucci


Assim, sem nunca ter visto nenhum dos filmes mencionados, nem qualquer outro filme do Bernardo Bertolucci, me meto a besta de falar desse filme, Os Sonhadores, que eu particularmente amo e revi hoje.

Os irmãos Theo e Isabelle - Louis Garrel e Eva Green - encontram na Cinemateca Francesa, na primavera de 1968, um americano tão apaixonado pelo cinema quanto eles: Mathew - Michael Pitt. Desenvolve-se então uma história de amor, várias histórias de amor, dentro do apartamento dos franceses.
Vou ser honesta: Sim, existem muitas cenas de sexo, e partes íntimas à mostra, e isso à primeira vista pode chocar, mas acho que o mais importante na película é o amor que há por trás dessas cenas: tanto um pelo outro quanto pelo cinema.

Bertolucci ensina cinema, dá uma aula de clássicos que todo cinéfilo, ou wannabe (como eu) deveria assistir, prestar atenção. Depois, ir atrás de todos os filmes inseridos lindamente na montagem.
Aliás, o que mais me encantou nesse filme foi a montagem: intercalando os 3 jovens com cenas de filmes clássicos. Algumas dessas cenas muito bem reproduzidas na história de Bertolucci.
Além da montagem a arte é fantástica, detalhes e mais detalhes no cenário. Tudo colorido, vemos os personagens em suas roupas e objetos. Fotografia? Honestamente não prestei muita atenção nela no decorrer do filme, mas em uma cena na cozinha ela chama atenç: a cena é toda iluminada por um castiçal sobre a mesa. Lindo.

Outra cena maravilhosa é quando os 3 estão na banheira e vemos seus rostos através de 3 espelhos na frente deles. Pra fechar o filme, uma cena em câmera lenta (RELAXA, não vou estragar nada!) e uma música per-fei-ta.

O filme não agradaria a todos, mas quem ama cinema e quer aprender um pouco mais, tem obrigação de ver esse filme e todos que existem dentro dele. Pra ajudar, aí vão alguns dos filmes mencionados.

A Vênus Loira
Bande à Part
Luzes da Ribalta
O Picolino
Scarface